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Avaliação de risco de máquinas: como aplicar de forma consciente o método HRN em conformidade com a ISO 12100

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Marcin Bakota Compliance Expert
27 January 2026
8 min de leitura
Visão geral de IA

Na prática da avaliação de riscos segundo a ISO 12100, o método HRN é por vezes encarado como uma “fórmula pronta para o risco”. Esta abordagem é cómoda, mas conduz a um erro: a ISO 12100 não define o risco como um único número resultante de um cálculo simples. A norma exige que o risco seja estimado para cenários específicos (situação perigosa → evento perigoso → dano) e entende a “probabilidade de ocorrência de dano” como uma função da exposição, da ocorrência do evento e da possibilidade de evitar ou limitar o dano. O HRN pode ser aplicado corretamente, mas apenas quando é utilizado como uma ferramenta que suporta esta lógica — e não como um substituto da mesma.

HRN com ISO 12100: ferramenta de apoio ao processo, não um “atalho para a conformidade”

Na prática da avaliação de riscos segundo a ISO 12100, a metodologia HRN é por vezes usada como se fosse uma “fórmula pronta” para obter o risco. É uma abordagem cómoda, mas leva facilmente a um erro de base: a ISO 12100 não define o risco como um único número resultante de um cálculo simples. A norma exige que o risco seja estimado para cenários concretos (situação perigosa → evento perigoso → dano) e entende a “probabilidade de ocorrência de dano” como uma função da exposição, da ocorrência do evento e da possibilidade de evitar ou limitar o dano. O HRN pode ser aplicado de forma correta, mas apenas quando é usado como instrumento que apoia esta lógica — e não como substituto dela.

Esta distinção é determinante para aquilo que, no HRN, estamos efetivamente a “calcular”. A ISO 12100 não se limita a perguntar que perigos existem na máquina. Orienta o raciocínio para cenários: quando uma pessoa está na zona de influência do perigo, durante que tarefa, em que estado se encontra a máquina e porquê. Só então o risco se torna real e avaliável de forma consistente.

Por isso, o HRN não deve ser aplicado “ao perigo” em abstrato, mas ao caso de utilização descrito. Na prática, isto significa que o resultado do HRN só é interpretável quando está associado a um cenário de acidente específico, e não a um componente da máquina considerado isoladamente.

Probabilidade de ocorrência de dano: elemento da ISO 12100 que o HRN não pode ignorar

A maior diferença entre o entendimento comum do HRN e a lógica da ISO 12100 está no conceito de “probabilidade”. Na ISO 12100, a probabilidade de ocorrência de dano não é uma classificação única do tipo “baixa / média / alta”. A norma apresenta-a como função de três componentes:

    Este terceiro componente é, na prática, o que mais frequentemente é desconsiderado quando se usa HRN — e, ao mesmo tempo, é um dos mais “decisivos” na realidade dos acidentes. Duas situações podem ter a mesma exposição e uma probabilidade semelhante de ocorrência do evento, mas conduzir a riscos completamente diferentes porque, numa delas, o dano pode ser evitado, enquanto na outra é, na prática, inevitável.

    Se o HRN pretende manter coerência com a ISO 12100, este aspeto tem de ser avaliado de forma consciente e tem de influenciar o resultado — mesmo que o “HRN puro” não tenha um parâmetro A (avoidance) explícito.

    “HRN puro” na prática: como relacionar LO, FE, NP e DPH com a ISO 12100

    O HRN clássico trabalha com quatro fatores (LO, FE, NP, DPH) e combina-os num único resultado (na maioria das vezes, como produto). A fórmula em si não é o problema. O problema é a forma como as equipas definem, na prática, o significado de cada fator.

    Se pretende aplicar HRN sem modificar a metodologia, o ponto crítico é garantir um mapeamento consistente para os elementos de risco da ISO 12100:

      Na prática, o “HRN puro” só fica alinhado com a ISO 12100 quando o LO não é escolhido “no vazio”, mas apenas depois de percorrer as três questões representadas na figura dos elementos do risco na ISO 12100: quem está exposto, qual é o evento perigoso e se o dano pode ser evitado.

      ISO 12100: métodos qualitativos e quantitativos — onde o HRN realmente se enquadra

      A ISO 12100 indica que as decisões sobre redução do risco devem ser suportadas por um método qualitativo e, quando apropriado, por um método quantitativo. Ao mesmo tempo, a norma assume explicitamente as limitações da abordagem quantitativa: esta faz sentido quando existem os dados necessários disponíveis, o que, na prática, é muitas vezes difícil.

      Isto explica exatamente porque o HRN é tão utilizado. O HRN produz um número, mas na maioria das aplicações não é um método quantitativo em sentido probabilístico. É um método de pontuação — semi-quantitativo — que estrutura a avaliação, mas continua dependente do julgamento técnico.

      Uma abordagem “mais quantitativa” no HRN só começa quando a organização constrói, de forma deliberada, bases de dados e referências (“âncoras”) para a escala. Na prática, isto significa:

        Sem isso, o HRN continua a ser útil, mas funciona como uma ferramenta de organização e comparação, e não como um cálculo de probabilidade.

        Como usar o HRN de forma consciente: princípios que mantêm a metodologia dentro da lógica da ISO 12100

        Na prática, o objetivo não é “calcular o HRN com perfeição”. O que interessa é que o HRN conduza a decisões de projeto acertadas e se mantenha coerente com a lógica da ISO 12100. Para isso, são determinantes regras de trabalho que reduzam a subjetividade e evitem os atalhos mais comuns.

        As mais importantes são:

          Na abordagem alinhada com a ISO 12100, o HRN é mais útil quando é aplicado de forma iterativa: antes da implementação de uma medida de proteção e depois dela. Assim, o número não funciona como “prova de segurança”, mas como um indicador de se os fatores de risco que se pretendia alterar foram, de facto, alterados.

          Estudo de caso: “HRN limpo” para o cenário de desobstrução de encravamento (e o que isto mostra na ISO 12100)

          No terreno, o melhor teste ao HRN surge quando o risco não decorre da “operação normal”, mas de uma tarefa auxiliar típica e recorrente.

          Contexto da máquina e da tarefa

          Consideremos uma secção de uma linha de embalagem com um transportador e um par de rolos de alimentação (ponto de arrastamento/entalamento). Durante o funcionamento podem ocorrer encravamentos de filme ou do produto, que o operador elimina manualmente.

          Na análise segundo a ISO 12100 descrevem-se situações perigosas, e não “um perigo dentro da máquina”:

            Só a este nível faz sentido passar para o HRN.

            Escala de HRN adotada (exemplo)

            Para manter o estudo de caso legível, adotemos classes internas simples (o essencial é a consistência, não “números perfeitos”):

              Nota: esta não é “a única escala correta de HRN”. É apenas um conjunto coerente que permite evidenciar a mecânica por trás das decisões.

              Avaliação de HRN – duas variantes da mesma tarefa

              Variante A: desobstrução em modo “JOG”, com velocidade limitada e comando de ação mantida

              Pressupostos práticos:

                Seleção de parâmetros:

                  HRN = 3 × 3 × 2 × 1 = 18

                  Conclusão para o projeto: o risco permanece, mas fica “controlado” pelas condições que aumentam a possibilidade de evitar o dano (é precisamente este aspeto da ISO 12100 que o HRN tem de refletir conscientemente em LO).

                  Variante B: a mesma tarefa, mas no cenário “a produção não pode parar” (reinício possível, maior velocidade, pressão de tempo)

                  Pressupostos práticos:

                    Seleção de parâmetros:

                      HRN = 3 × 3 × 4 × 1 = 36

                      Conclusão para o projeto: o que mudou não foi o “tipo de perigo”, mas a relação homem–máquina num estado concreto de utilização. O HRN evidencia a diferença, mas apenas se o LO contemplar efetivamente a possibilidade de evitar o dano.

                      NP: porque o “multiplicador do número de pessoas” pode ser uma armadilha (e como usar com critério)

                      No HRN clássico, o NP surge como multiplicador. Matematicamente funciona, mas na prática é frequentemente mal interpretado: o resultado começa a sugerir que o risco para um operador individual “aumenta” só porque existe uma segunda pessoa nas proximidades.

                      Numa abordagem mais atual (também refletida em ferramentas práticas discutidas na ISO/TR 14121-2), o número de pessoas aparece mais vezes como elemento de contexto:

                      • aumenta o peso do problema,

                      • eleva a prioridade das ações,

                      • influencia a forma de organizar a zona e o acesso,
                        mas não tem, necessariamente, de ser um multiplicador do “risco individual”.

                      Como aplicar isto na prática, sem desvirtuar a ISO 12100

                      A forma mais clara é separar duas perspetivas:

                      Risco para a pessoa (unit risk) – coerência com a lógica da ISO 12100
                      Calcula-se o HRN para a “pessoa mais exposta” e, em 99% dos cenários, assume-se NP = 1. Isto está alinhado com a forma como, na prática de projeto, se avalia um cenário de dano para uma pessoa numa determinada interação.

                      Prioridade organizacional / “abrangência” – decisão de gestão, não definição de risco
                      Se o cenário puder envolver várias pessoas (por exemplo, zona aberta, operador + manutenção, pessoas externas), regista-se no relatório, de forma explícita:

                      • “possível exposição simultânea de várias pessoas: SIM/NÃO”

                      • “número máximo de pessoas na zona durante a tarefa: …”
                        e, com base nisso, aumenta-se a prioridade das ações (por exemplo, no plano de modernização, no cronograma de implementação).

                      Esta abordagem resolve um problema típico do HRN: não se infla artificialmente o “risco do operador” e, ao mesmo tempo, não se ignora que o cenário pode afetar mais do que uma pessoa.

                      Quando o NP faz sentido como multiplicador (e não distorce a avaliação)

                      Usar o NP como multiplicador tende a fazer mais sentido sobretudo quando falamos de cenários como:

                        • libertação de energia / projeção de componentes,
                          • incêndio, explosão,
                            • situações em que uma única falha pode, em simultâneo, ter impacto em várias pessoas.

                            Ainda assim, mesmo nesses casos, vale a pena colocar uma questão de método:
                            se o facto de existirem “vários sinistrados” não deveria ficar já refletido na gravidade do dano (extensão do dano), em vez de ser tratado como multiplicador.

                            Como em qualquer avaliação de riscos, o que conta é a interpretação do resultado e não apenas o valor numérico; em última instância, a decisão de avaliação do risco é uma responsabilidade de engenharia.

                            Perguntas frequentes

                            O HRN é um método exigido pela EN ISO 12100?

                            Não. A EN ISO 12100 não impõe um método específico do tipo HRN nem uma "fórmula de risco”. A norma exige um processo: identificação de perigos, estimativa do risco para cenários e redução do risco de acordo com a hierarquia das medidas de proteção.

                            O HRN pode ser utilizado como uma ferramenta de apoio para estruturar as avaliações (semiquantitativas), mas não pode substituir a lógica da norma, na qual o risco é atribuído a casos de uso específicos e a cenários de acidente.

                            Por que não se deve calcular o HRN “para o perigo”, mas sim para o cenário?

                            Na EN ISO 12100, o risco diz respeito ao cenário: situação perigosa → evento perigoso → dano. O mesmo “perigo” (por exemplo, movimento de componentes) pode ter um risco completamente diferente consoante a tarefa (produção, limpeza, mudança de formato), o estado da máquina e o acesso humano.

                            Por isso, o resultado do HRN só faz sentido quando descreves explicitamente: quem e quando está exposto, qual é o evento perigoso e que dano é realisticamente possível no caso em questão. Sem isso, o número HRN pode parecer preciso, mas é inútil para a tomada de decisão.

                            Como a EN ISO 12100 entende a «probabilidade de ocorrência de dano»?

                            A EN ISO 12100 trata a probabilidade de ocorrência de danos como a resultante de vários elementos, e não como uma única avaliação “pequena/grande”. Na prática, inclui pelo menos:

                            • a exposição da pessoa ao perigo,
                            • a ocorrência do evento perigoso,
                            • a possibilidade de evitar ou limitar os danos (fatores técnicos e humanos).

                            No HRN, este terceiro elemento (evitar/limitar os danos) é por vezes omitido. Se não for deliberadamente considerado na seleção dos parâmetros, o HRN pode subestimar ou sobrestimar o risco em comparação com a intenção da norma.

                            Como mapear LO, FE, NP e DPH para os elementos de risco da EN ISO 12100?

                            Para que o HRN seja coerente com a EN ISO 12100, vale a pena atribuir de forma consistente o significado aos parâmetros:

                            • DPH – gravidade do dano (consequências),
                            • FE – exposição (com que frequência e por quanto tempo a pessoa está numa situação de perigo),
                            • LO – não apenas “taxa de avarias”, mas a avaliação de se e como ocorre o evento perigoso e em que medida o dano pode ser evitado ou limitado,
                            • NP – número de pessoas potencialmente expostas, usado com cautela para não contabilizar o mesmo aspeto duas vezes (p. ex., uma vez na exposição e outra na gravidade).

                            O ponto essencial é que o LO não seja selecionado “no vazio”, mas apenas após descrever o cenário do acidente de acordo com a lógica da norma.

                            Onde, no HRN, “esconde-se” a possibilidade de evitar ou limitar o dano?

                            O HRN clássico não tem um parâmetro separado "A” (avoidance), conhecido de outras abordagens. Se quiser manter um "HRN puro”, o elemento da possibilidade de evitar/limitar o dano tem de ser avaliado conscientemente no âmbito da seleção de LO (e, por vezes, também através de uma maior precisão do cenário e do FE).

                            Na prática, isso significa que o LO deve ter em conta, entre outros, o tempo de desenvolvimento do perigo, a visibilidade/reconhecibilidade do risco, a possibilidade de fuga, a surpresa do evento, as limitações de movimento e os comportamentos humanos realistas na tarefa em causa.

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